A música pelos anos: Como a tecnologia mudou a forma de consumirmos

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É inegável o fato que a música passa por profundas mudanças a partir de inovações tecnológicas. Os instrumentos se tornam cada vez mais precisos e a arte cada vez mais difundida. O MP3 hoje é tão obsoleto quanto os discos de vinil e as fitas K7 ficaram no passado e os serviços de streaming já são parte de nosso cotidiano.

Antigamente, haviam poucas formas de ouvir música. As pessoas se juntavam em algum cômodo da casa para ouvir, por exemplo, os novos lançamentos de Roberto Carlos. E isso só era possível com o auxílio de vitrolas e dos famosos LPs, equipamentos caros e que ocupavam um grande espaço. Os saudosistas afirmam que o som que sai desses equipamentos é o mais puro, defendendo o uso até os dias de hoje, em tempos de dispositivos com players de música. Estes ocupam um espaço infinitamente menor, já que além de tocarem a música, conseguem armazenar uma quantidade de canções maior das que compunham um disco de vinil.

Além disso, no passado a rádio atingia um público bem maior do que o de hoje – esta era, além de entretenimento, a fonte oficial de comunicação do país por longos anos. As famílias se reuniam e esperavam para que as músicas preferidas fossem anunciadas e tocadas naquele equipamento, que também ocupava um grande espaço nos domicílios. Anos depois, esta função do rádio foi parcialmente substituída pela televisão e pelas paradas de clipes, que dominaram os canais durante os anos 80 e 90. Hoje, emissoras como a MTV enfrentam a queda da audiência e a dificuldade de se reinventarem em um mundo onde existe o YouTube, plataforma que dá ao público a possibilidade de criar a própria parada de clipes preferidos. O rádio, por sua vez, foi quase todo substituído pelas estações personalizadas dos programas de streaming, que, além de mais funcionais, são feitas de acordo com o gosto do usuário.

Os equipamentos musicais de hoje contam com uma qualidade superior se compararmos aos instrumentos mais antigos. Tudo isso, graças ao maquinário mais preciso e ao controle maior de qualidade. Os instrumentos são mais tecnológicos e muitas vezes mais fáceis de manejar, o que causa, novamente, insatisfação dos mais conservadores, que alegam a falta de qualidade e talento de quem toca. Por sua vez, os equipamentos de reprodução se tornaram mais potentes e aguçados. Pequenas caixas de som são capazes de detectar a presença de um dó menor de um cajón, por exemplo, em uma música. Isso também acontece com os fones de ouvido, que reproduzem as faixas com muita qualidade e evoluíram ao longo dos anos.

Há quem diga que a internet serviu para matar a música. De fato, a venda de álbuns caiu exponencialmente (e a tendência é cair ainda mais). Mas, excluindo discussões sobre gostos pessoais, a ferramenta foi a responsável pela maior difusão de canções. É imensurável como a internet, juntamente com os derivados dela, como, por exemplo, as redes sociais, programas de streaming e gadgets, serviram para espalhar as músicas e a democratizá-las. Hoje, é muito mais fácil conhecer bandas de qualquer parte do mundo e de qualquer estilo. Ou seja, mais pessoas podem notar o trabalho de mais músicos, que podem vender mais shows e fazer mais ações online para angariar um público cada vez maior. Portanto, o mercado musical é hoje muito mais competitivo, não se mensura o talento pela venda de álbuns e não se sustenta mais no meio por este tipo de renda. Quem se estabelece, sabe jogar com a tecnologia a seu favor e quem morre hoje no mundo da música é aquele que não sabe aproveitar todas as facilidades do mercado que já se estabeleceu em um mundo diversificado e conectado.